Noite de autógrafos virtuais



Por Alvaro Domingues em 30 de maio de 2011.
Arquivado em ‘Crônicas, Provocações, Publicações’.

Crônica para ilustrar um dos tópicos de nosso último encontro.

Num futuro próximo:

Um amigo meu, o Bruno Cobbi, que eu não via há muito, me mandou um e-mail me convidando para o coquetel de lançamento de seu livro.

No convite apenas o endereço de um site, mas não do local. Resolvi telefonar. – Bruno, aqui é seu amigo Álvaro.

– Álvaro? Diga qual o seu twitter, pra eu saber de qual Álvaro se trata.

– Deixa disso Bruno. A gente se conheceu nos eventos de FC & Fantasia e depois participamos dos encontros dos Escritores de Quinta. Sou o Pai Nerd!

– Tá, já sei quem é. O que manda? – Você me mandou um convite por e-mail, convidando pra a noite de autógrafos de seu livro, só que não mandou o endereço…

– Ah! Por que não perguntou por e-mail?

– Porque eu lá sei eu se você abre sua caixa postal todo dia… Diz aí onde é…

– Conservador! O mundo agora é todo virtual! Se prestar bem atenção, tem o endereço sim, no final da mensagem.

– Lá só há um endereço eletrônico, de um site.

– Pois é este mesmo. É um bar virtual. Será aberta uma sala de vídeo-conferência.

– O quê?!?! Mas é uma noite de autógrafos… Como você vai autografar os exemplares de seu livro?

– O livro é virtual. O pessoal vai baixar o livro e eu faço uma marca digital, única e irremovível, no arquivo.

– Tá, mas é o canapé e o vinho branco? Isso não pode faltar…

– Ao entrar no nosso site, você recebe em sua máquina um número e uma senha. Você escolhe um link de um buffet conveniado com a editora, perto da sua casa, e eles te entregam, em até quinze minutos, vinte salgadinhos e uma garrafa de vinho branco…

– Mas isso não vai ter a menor graça! Quero apertar sua mão, lembrar os velhos tempos, e tudo mais.

– Na hora da vídeo-conferência, o meu webdesigner faz uma montagem do aperto de mão…

– Continuo achando muito estranho…

– Seja menos retrógrado rapaz… Continuamos nossa conversa por um ou dois minutos.

Devido a insistência do meu amigo fui à sala de chat no dia e hora marcados. Baixei seu livro autografado, pagando-o on line com meu cartão de crédito. O livro era bom. Os canapés razoáveis, mas o evento foi chatíssimo.

Alguns meses depois, recebi outro convite, desta vez pelo correio. Era uma noite de autógrafos do mesmo livro, em papel.

Telefonei pra meu amigo:

– Aqui é o Álvaro! Recebi seu convite, e estou ligando pra confirmar minha presença….

– Que bom! Creio que será um sucesso. Alguns colegas nossos dos Escritores de Quinta irão…

– Creio que será muito bom. Mas não resisto a fazer uma pergunta. Por que lançar o livro em papel, num evento mais tradicional?

– É que o outro editor me pagou com dinheiro virtual. E eu não consegui comprar nada real com ele…

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